Califórnia, USA

Floresta de árvores gigantes – Parque Nacional da Sequoia

Apesar da Califórnia ser sempre lembrada pelas suas palmeiras, tem outras árvores que roubam o coração dos turistas por lá: as sequoias. Já ouviu falar nelas?

O Parque Nacional da Sequoia fica no centro do estado, nas montanhas de Sierra Nevada, a cerca de 3h e meia de Los Angeles e 4 horas de São Francisco. Atrai mais de 1 milhão e meio de visitantes por ano. E não é à toa. Lá existe uma floresta de árvores gigantes. Simplesmente os maiores e mais antigos seres vivos do planeta.

As sequoias são árvores de casco avermelhado, parentes dos pinheiros e das araucárias. Podem chegar aos 120m de altura e mais de 3.500 anos de idade. São resistentes ao tempo principalmente por causa da sua casca, que chega aos 60 cm de espessura, fornecendo proteção contra praticamente tudo – insetos, roedores, parasitas, invernos rigorosos e até queimadas.

Apesar das sequoias de hoje terem “só” 3 mil anos, essa floresta é pré-histórica, existe desde a era do gelo. Há cerca de 10 mil anos, as florestas de sequoias eram muito comuns em toda a América do Norte, mas hoje são encontradas somente em três locais da Califórnia, os parques Kings Canyon, o Yosemite Park e o Sequoia National Park.

Estrutura da região e onde se hospedar

O Parque Nacional da Sequoia fica no condado de Tulare, pertinho das cidades Three Rivers (Três Rios) e Tulare – onde fiquei hospedada. Three Rivers é minúscula, tem 2 mil habitantes, mas oferece alguns hotéis e pousadinhas há 10 minutos da entrada do Parque, nos pés da montanha. Ótima opção para quem quer estar quase lá dentro. Já Tulare é um pouquinho mais longe – há 1 hora da mesma entrada, mas é uma cidade maior, com mais infraestrutura: hotéis de rede, supermercados, lanchonetes, restaurantes e até um outlet.

Não acho que seja necessário passar mais de um dia na região. A área do parque é grande, mas para a maioria dos turistas um dia é suficiente para ver praticamente tudo. Mas veja bem, se a pessoa sair de Los Angeles ou SF para visitar as Sequoias, vai dirigir cerca de 4 horas de ida, além da subida até o parque que leva 1 hora (é uma montanha íngreme) e o tempo de visitação… Vai acabar tendo que passar uma noite lá, pelo menos para visitar o parque à tarde sem pressa, dormir e voltar no outro dia de manhã, descansado(a) – serão mais 4 horas no volante.

A cidade para se hospedar, tanto faz. Como disse, eu fiquei em Tulare, no hotel Hampton Inn, e foi uma estadia bem tranquila. Café da manhã incluído, estacionamento e ainda, bem pertinho do Tulare Premium Outlet, onde aproveitamos o tempo de sobra para umas comprinhas.

Mas vamos falar do que mais importa…

O Parque Nacional da Sequoia

Foi criado em 1890, com o objetivo principal de preservar um dos últimos grupos de sequoias restantes no planeta. O parque abrange 1.635 km², e suas montanhas mais altas chegam aos 4.000m de altura.

Entrando por Three Rivers, nos pés da montanha, o visitante passa por uma guarita, onde paga a entrada e tem acesso liberado para a Rota 198, que leva ao parque. O ingresso custa $20 dólares por veículo – não importa quantas pessoas estejam dentro, dando o direito de entrar e sair do parque por sete dias consecutivos. Passando pela guarita a pé ou de bicicleta, são $10 dólares por pessoa. Nesse ponto, também é entregue um jornal com mapas, instruções e a programação do parque para a época.

Portão de entrada do Parque Nacional da Sequoia.
Portão de entrada do Parque Nacional da Sequoia.
Preços.
Preços.
Jornalzinho com as novidades do pedaço.
Jornalzinho com as novidades do pedaço.

Um pouco depois da cancela, o primeiro mirante ao longo da estrada dá as boas vindas aos visitantes. A placa, com o rosto de um índio, é uma homenagem aos primeiros habitantes da região – que foram expulsos por colonizadores/exploradores de madeira.

Pausa para a primeira foto.
Pausa para a primeira foto.
O mirante ao lado da placa, tem uma vista linda para o Rio Kern (Kern River), mas que infelizmente anda bem mixuruca, em virtude da seca que assola a Califórnia. Ele costuma ter bem mais água que isso.
O mirante ao lado da placa, tem uma vista linda para o Rio Kern (Kern River), mas que infelizmente anda bem mixuruca, em virtude da seca que assola a Califórnia. Ele costuma ter bem mais água que isso.

Neste trecho, também está o Tunnel Rock, túnel de pedra por onde passava a estrada antiga. Há um estacionamento do outro lado da rua, então é possível parar para bater fotos e até subir nesse humilde pedaço de granito. #NãoFui #NãoSouRadical

Tunnel Rock.
Tunnel Rock.

Para chegar à floresta em si, pega-se uma estrada bastante sinuosa montanha acima que leva de 40 min a 1 hora, depende muito do seu nível de “radicalidade” no volante. Achei a subida um pouco cansativa – e eu era carona, hein? E a descida deixou quase todo mundo no carro enjoado… Além de estar nas encostas da montanha, a estrada foi construída para derrubar o menor número de árvores possível, então imaginem o nível das curvas…

Montanhas do Parque Nacional da Sequoia. Pra ver as árvores, só quase no topo mesmo...
Montanhas do Parque Nacional da Sequoia. Pra ver as árvores, só quase no topo mesmo…
Sente o nível da estrada pelo trecho no cantinho da foto.
Sente o nível da estrada pelo trecho no cantinho da foto.

Já lá em cima, a quase 3.000m de altitude, começam a aparecer sequoias nas margens da estrada. O caminho segue mais uns 15 minutos em meio às sequoias, até que surgem os primeiros bolsões de estacionamento e Visitor’s Centers (centros para recepção aos visitantes).

Saindo das encostas do morro, a estrada vai mudando de aspecto. As primeiras sequoias do caminho.
Saindo das encostas do morro, a estrada vai mudando de aspecto. As primeiras sequoias do caminho.
Um dos estacionamentos à direita.
Um dos estacionamentos à direita.

E para quem não está de carro ou tem medo de dirigir na montanha? O parque oferece um serviço de transporte coletivo – chamado Sequoia Shuttle – saindo das cidades de Three Rivers/Visalia (pela Rota 198) ou de Fresno/Sanger (pela Rota 180), no outro lado da montanha. Esses shuttles funcionam de maio a setembro, e custam $15 por pessoa, incluindo já a entrada no parque. E, lá em cima, existem também ônibus gratuitos que levam de uma atração a outra, já que nem tudo fica muito perto.

O Shuttle gratuito que liga as atrações turísticas do parque.
O Shuttle gratuito que liga as atrações turísticas do parque.
Mais um. Eles estão espalhados pelo parque e são bem eficientes.
Mais um. Eles estão espalhados pelo parque e são bem eficientes.

O Sequoia National Park tem 5 diferentes Visitor’s Centers, dotados de amenidades importantes para os turistas: funcionários tirando dúvidas, mapas, banheiros e até máquinas de água/refrigerante. Desses centros, partem diversas trilhas que percorrem o interior do parque, passando junto às arvores mais antigas ou de maiores dimensões.

Um dos Centro de Visitantes. Esse era mais simples, mas tinha o essencial que era banheiro e bebedouros, hehehe.
Um dos Centro de Visitantes. Esse era mais simples, mas tinha o essencial que era banheiro e bebedouros, hehehe.
O começo das trilhas. Note o tamanho das pessoas do lado do tronco das árvores. Se essas sequoias já parecem grandes, o que dizer...
O começo das trilhas. Note o tamanho das pessoas do lado do tronco das árvores. Se essas sequoias já parecem grandes, o que dizer…
...dessas? É realmente uma floresta gigante.
…dessas aqui? É realmente uma floresta gigante.

O parque fica aberto o ano inteiro, todos os dias. Mas no inverno, devido à neve e ao risco de desabamento de pedras, algumas estradas ficam fechadas. Dá pra fazer a visita tranquilamente, mas é recomendável que o motorista tenha experiência dirigindo no gelo/neve, por segurança. Nessa época, como já disse, também não há o Shuttle. Meu passeio foi em julho – no verão, período que dizem ser o mais lotado, mas não estava muito cheio não. E nem muito calor.

Linda!
Linda!

A principal atração do parque é, sem dúvida, a árvore General Sherman, o ser vivo mais velho e mais volumoso do mundo. Ela tem 83m de altura e a base do seu tronco tem 33m de circunferência. Só esse tronco pesa 1.400 toneladas, o equivalente a 15 baleias adultas ou 25 tanques de guerra. É realmente surpreendente. Estima-se que ela tenha entre 2.300–2.700 anos.

Árvore com nome de general. Isso é para poucas.
Árvore com nome de general. Isso é para poucas.
Para fotografar a General Sherman inteira, só com uma lente grande angular.
Para fotografar a General Sherman inteira, só com uma lente grande angular.
General Sherman em números.
General Sherman em números.
Eu e Ela <3
Eu e Ela <3

Para ir até ela, é possível seguir uma trilha pavimentada que passa por outras árvores gigantescas. Talvez não tão famosas quanto a general, mas ainda assim, incrivelmente grandes.

Uma foto mais aberta do pessoal em volta da General Sherman (essa mais larga, da esquerda). E mais à direita, uma Sequoia de tronco duplo. Clique para ampliar.
Uma foto mais aberta do pessoal em volta da General Sherman (essa mais larga, da esquerda). E mais à direita, uma Sequoia de tronco duplo. Clique para ampliar.

Outra atração é o Tunnel Log, na Crescent Meadow Road. Um túnel aberto no tronco de uma sequoia de 2.000 anos, que caiu sobre a pista em 1937. É clássico parar o carro embaixo dela e ir mais longe para fotografar. No dia que fui tinha uma fila de carros esperando pela foto e acabamos indo caminhando só pra olhar.

Tunnel Log, no Parque da Sequoia. Foto: PhotoBucket.
Tunnel Log, no Parque da Sequoia. Foto: PhotoBucket.

A área tem ainda cavernas de mármore que atraem os turistas e o Giant Forest Museum, um museu que conta a história dessa famosa floresta e dos seres humanos que já moraram nela.

Giant Forest Museum.
Giant Forest Museum.

O passeio é lindo. Para quem gosta de natureza então… Não tenho dúvidas que vai ficar impressionado. Aliás, quem tem vontade de ficar lá por mais tempo, é possível acampar dentro do parque. Ou ao menos fazer um pique-nique. Só não vale deixar lixo no local, que é realmente um tesouro a ser preservado.

Té a próxima!

Administradora, eterna estudante, cozinheira nas horas vagas e viciada em maquiagem.