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Um passeio pelo High Line Park em Nova York

De tanto dar dicas para amigos queridos que iam viajar para lugares que já tínhamos ido, eu e a Luciane resolvemos começar a escrever nossos relatos num blog. Assim fica mais fácil de dividir nossas aventuras por aí!
E pra começar, eu não poderia falar de outra cidade que não fosse Nova York! Ela é a campeã de pedidos de dicas de hotel, restaurantes, atrações e passeios… Também pudera, é difícil alguém que não sonhe em um dia visitar a Big Apple. 😃

Vamos aproveitar este espaço para dividir com vocês todo o material de viagem que temos, nossas experiências boas e ruins. Do mesmo jeito que precisamos de ajuda quando começamos a viajar, esperamos que esse blog possa lhe ajudar a planejar a sua primeira ou próxima viagem! E vamos ao que interessa….

Vocês conhecem o High Line Park em Nova York? Não? Então vamos lá que eu te explico “tudinho” sobre esse parque maravilhoso, aberto em todas as estações do ano. Pra quem já esteve em NYC e perdeu a oportunidade ou pra quem nunca esteve e quer se programar.

High Line Park
High Line Park

Uma breve (não tão breve assim) história sobre o parque

A linha de trem elevada foi inaugurada em 1934, para ligar os armazéns e açougues da região, que não a toa é chamada de Meatpacking District (algo como “Distrito das carnes embaladas”). As linhas de trem que passavam por ali traziam os produtos para Nova York no começo do século XX.

Essa rota funcionou até meados dos anos 80, quando foi desativada totalmente. Caiu em desuso principalmente pela facilidade (e custo reduzido) do transporte de cargas por caminhões.

Uma curiosidade é que o último trem a utiliza-lá tinha apenas 3 vagões carregados de perus congelados.

Trilhos de Trem
Trilhos de Trem

Claro que os proprietários quiseram então demolir a estrutura para poder vender os terrenos que passavam embaixo.

Foi quando um morador (e fanático por trens) chamado Peter Obletz decidiu batalhar pela preservação do elevado, como referência à memória da região. Para isso, surgiu a ideia de criar um parque onde antes ficavam os trilhos do trem. Mais de uma década de conscientização local, muita briga e captação de recursos, foi finalmente fundada a ONG Friends of the High Line. Essa organização unia o desejo dos moradores, dava uma face ao movimento e buscava mostrar a viabilidade do projeto para as autoridades municipais.

Entre 2002-2003, a ONG conseguiu produzir e publicar um estudo mostrando a importância da revitalização para a região, e principalmente para a cidade, além é claro da sua viabilidade econômica. Dado esse passo, foi aberto um concurso para selecionar os melhores projetos. Em 2004, já com o apoio do governo municipal, um projeto foi finalmente selecionado.

Acesso por elevador
Acesso por elevador

Com isso tudo em andamento, ainda faltava algo crucial: a doação da estrutura pelos proprietários. E claro que após mais um pouco de pressão (e uma ajuda do governo), a doação aconteceu em 2005 e as obras começaram em 2006.

Em junho de 2009, a primeira parte do parque, da rua Gansevoort até a rua West 20th, foi aberta. Em junho de 2011, foi a vez da segunda parte, da rua W20th até a W30th. Em setembro de 2014, a terceira parte, da rua W30th até a rua W34th, cruzando os pátios de trens da Penn Station, uma parte pouco vista de NYC, e que a gente ainda não visitou.

Hoje o parque é da cidade de Nova York e é administrado pela ONG.

The Standard Hotel
The Standard Hotel

O parque mais elevado de Nova York

O High Line vai então da rua Gansevoort no Meatpacking District até a rua West 34th no final do Chelsea, começo do Hell’s Kitchen, região chamada de Hudson Yards. A entrada é gratuita e livre, desde que em grupos menores de 20 pessoas (acima disso vale entrar em contato com a administração e quem sabe ganhar uma visita guiada), e o parque conta com acessos por escadas e elevadores, para quem necessita.

Abre todos os dias, no inverno das 7h da manhã até 19h, primavera e outono até às 22h e no verão até 23h.

Espreguiçadeiras pra relaxar
Espreguiçadeiras pra relaxar

Além do táxi (amarelo por favor!), o jeito mais fácil de chegar ao ínicio do parque é pegar o metrô. Linhas A/C/E, seja downtown ou uptown. Salte na estação da rua 14th e ande na direção oeste, rumo ao encontro com o Rio Hudson. Para começar no sentido inverso, metrô A/C/E até Penn Station e siga no mesmo sentido.

É uma caminhada boa de 2.33km, então leve água pra caso os bebedouros não estejam funcionando (no inverno), e você não queira descer do parque. No verão, passe bastante protetor solar e prepare-se para uma pequena multidão, no outono a paisagem muda bastante e o movimento vai caindo até chegar o inverno, com suas plantas secas, vento cortante e pouca gente (incluindo a falta das feirinhas). O ideal é mesmo a primavera com seu solzinho e ventinho frio, movimento médio, plantas e flores esverdeando e florescendo.

Fomos no inverno e na primavera lá. Eu gostei mais no inverno, a Luciane gostou mais na primavera. Acho que de fato vale ir em todas as estações, principalmente pra ver novas obras de arte e curtir o sunset.

High Line na Primavera
High Line na Primavera

Falando em obras de arte, o parque usa as paredes do prédios ao redor, outdoors nas ruas e os próprios trilhos revitalizados para suas exposições. Vale clicar aqui pra ver o que está em exibição nesse momento. Quando fomos no inverno estava em exposição um mural do artista e fotógrafo francês JR. Quando fomos na primavera ele já tinha saído de exibição. Um dos painéis/murais mais famosos é o do brasileiro Eduardo Kobra, revisitando a icônica foto de 1945, com um marinheiro beijando sua donzela. As cores do mural são impressionantes.

Painel do brasileiro Kobra
Painel do brasileiro Kobra

Em termos de arquitetura, o parque em si é uma mostra de como o urbanismo pode contribuir para revitalização de regiões em decadência e fortalecer o comércio, como por exemplo pelo uso das passagens pelo interior do The Standard Hotel e do Chelsea Market. Espaços como o 23th St. Lawn, ou em bom português, gramado da 23ª rua, e o The Tenth Avenue Square, o anfiteatro da 10ª avenida com uma visão surpreendente da bendita avenida, são um convite para relaxar e curtir o momento de paz nessa cidade que não pára.

The 23th St. Lawn
The 23th St. Lawn

Eu acredito que o passeio ideal deva incluir uma passadinha no Chelsea Market e finalizando com o pôr do sol. Esse famoso mercado merece um post próprio no futuro mas vale dizer algo: gosta de comida boa? Vai lá!

Bom, o High Line hoje é um dos parques mais famosos e visitados da cidade, principalmente pelos seus moradores, que têm orgulho da luta e história de preservação dessa pequena (não tão pequena assim) parte da história de NYC. Vale a visita, vale gastar um tempinho atravessando-o, vale descansar nos seus bancos e curtir a vista.

Chelsea Market
Chelsea Market

O parque deu tão certo que tem gente querendo fazer a mesma coisa no Brasil, lá no Minhocão em SP. Eu, particularmente, gostaria de ver a Ponte Hercílio Luz ser transformada em parque, porque afinal acho que Florianópolis precisa de mais uma via de acesso à ilha mas não necessariamente precisa ser a nossa ponte de metal.

E aí? Deu vontade de ir? Veja aqui o nosso vídeo do passeio no parque. Curta, compartilhe e comente.

As fotos desse post são da Luciane!

Té a próxima!

PS: Nova York porque brasileiro chama assim.

PS2: Podia ter falado da gentrificação, interesse e especulação imobiliária e os custos do parque mas né? Vira textão do facebook.

Empire State Building ao fundo
Empire State Building ao fundo
Visão da 10th Av. do The Theater
Visão da 10th Av. do The Theater
Sorvete artesanal no Chelsea Market
Sorvete artesanal no Chelsea Market
Corredor do Chelsea Market
Corredor do Chelsea Market
Comidinhas no Market
Comidinhas no Market

Fotógrafo, barbudo, viciado na Craigslist e wikipedia ambulante.