Boston, Transporte

Usando o “T”- Sistema de transporte público em Boston

Já falamos aqui no blog sobre o metrô de Nova York, suas linhas e as melhores opções para chegar ao seu destino por lá. Mas agora, chegou a vez de falarmos sobre o sistema de transporte público em Boston, nossa nova cidade.

Além do mais, aqui foi construído o primeiro metrô do país, em 1897. É, 1897.

Park Street Station em 1898. Fonte: Wikipedia
Park Street Station em 1898. Fonte: Wikipedia

E vale dizer que também farei dois post: um falando do sistema em si e outro das linhas.

MBTA mas pode chamar de “T”

O sistema não tem um nome oficial, o que eles usam oficialmente aqui é Massachusetts Bay Transport Authority ou, traduzindo grosseiramente, Autoridade de Transporte da Baía de Massachusetts, que nada mais é do que o nome da agência que opera.

Para a população, ele é conhecido simplesmente por “T“, ou seja, quando você estiver andando pela cidade e ver uma letra T dentro de um círculo branco, é sinal de que ali passa algum dos modais do sistema.

O "T". Fonte: Wikipedia
O “T”. Fonte: Wikipedia

E olha, não são poucos: Trens grandes, ônibus, ônibus BRT, bondes, metrô e trolleybus (é um ônibus ligado na rede elétrica, igual a um bonde, e eu acho bizarro). Além das barcas que ligam as regiões costeiras.

Ônibus. Fonte: Wikipedia
Ônibus. Fonte: Wikipedia
Por dentro do ônibus MTBA
Por dentro do ônibus MTBA

O “T” é usado por mais de 1 milhão de passageiros diariamente, ligando as cidades da região metropolitana de Boston.

Para usá-lo há duas opções, através do CharlieCard ou do CharlieTicket. O primeiro é um cartão recarregável, usado no estilo aproxime-para-passar e ele dá mais desconto que usar o ticket. Por outro lado, ele é pago para fazer. Já o ticket com código magnético parece mais com MetroCard de NYC, é utilizado mais em viagens únicas, por quem normalmente não usa o transporte público, e sua passagem é bem mais cara. Antes disso, eram usadas pequenas fichas ou tokens com o valor da passagem, que então eram entregues a cobradores.

CharlieCard. Fonte: Wikipedia
CharlieCard. Fonte: Wikipedia

Uma situação ruim daqui é que o passe mensal só pode ser comprado com alguns dias de antecedência do início do mês e alguns dias depois do início. Ou seja, não posso comprar um passe no meio do mês. Já os passes semanais podem ser comprados a qualquer momento. Acho sinceramente um desestímulo ao uso do passe, não vejo porque não liberar a compra a qualquer momento, afinal estamos pagando.

Commuter Rail. Fonte: Wikipedia
Commuter Rail. Fonte: Wikipedia

Uma curiosidade é que o sistema é o principal consumidor de energia do estado.

Valor da passagem do metrô

Pelo CharlieCard, a passagem sai US$ 2.25. Pelo CharlieTicket, sai US$ 2.75.

Cabe lembrar que, usando o card ou o ticket dá pra fazer uma integração com os ônibus a cada duas horas. Então, não dá pra ficar pulando de galho em galho, mas dá pra programar o passeio e aproveitar essa facilidade.

Já o passe diário custa US$ 12 e o semanal US$ 21.25, nem preciso dizer pra vocês qual vale mais a pena.

O passe mensal custa US$ 84.50.

E deixem eu dizer que, com qualquer um dos passes, cai por terra esse negócio do limite de integração, fora é claro aquela dificuldade de repassar o cartão logo na sequência, feita para barrar os espertinhos.

Mapa com localização geográfica das linhas do metrô. CharlieCard. Fonte: Wikipedia
Mapa com localização geográfica das linhas do metrô. Fonte: Wikipedia

Críticas e elogios ao sistema

Bom, o sistema como um todo é velho e pouco revitalizado. Fora algumas pequenas atualizações, pouca coisa realmente mudou ao longo dos anos, sendo a maior dela a introdução do CharlieCard.

Por outro lado, não acho que estão caindo aos pedaços. Mas sabe como é, carro velho tem uma tendência a dar mais problema. Principalmente no inverno.

É latente a necessidade do aumento das linhas do metrô em direção aos subúrbios, porque os trens regionais, ônibus e metrôs já não contam do fluxo de passageiros.

E aí que o trem da linha laranja quebrou...
E aí que o trem da linha laranja quebrou…

Do jeito como tudo foi planejado, não há nem ao menos a possibilidade de linhas expressas porque geralmente as estações só têm espaço pra um trilho que vem e um trilho que volta. Resultando também em constantes atrasos por causa de problemas nas estações (ocorrências médicas, policiais, composições quebradas e assim vai).

Tente pegar um dos destinos da linha verde e você vai notar. Um trajeto que é pra levar 20 minutos, leva no mínimo uma hora em vagões de bondinhos.

Interior do bondinho da Linha Verde.
Interior do bondinho da Linha Verde.

Vale elogiar: o fato de ser multi-modal, você sempre poder tentar ir por aquele que achar ser mais adequado (ou mais rápido), quase tudo ser preparado para o uso de bicicletas, a relativa limpeza dos vagões e a educação do “bostonians” em relação ao assentos, diferentemente de NYC, onde uma pessoa ocupa 3 bancos e não deixa mais ninguém sentar.

Estação de Downtown Crossing.
Estação de Downtown Crossing.

Bom, por enquanto é isso. No próximo post, vou detalhar as linhas e dar a minha opinião de como é andar nelas.

Té a próxima!

Esse post foi atualizado em 17/07/16 para refletir o valor atualizado das passagens do MBTA.

Fotógrafo, barbudo, viciado na Craigslist e wikipedia ambulante.